Terça-feira, Junho 13, 2006

É o seguinte: sempre que compro um copo de café acendo um cigarro, daí eu fico tentando sincronizar o rendimento dos dois pra que eles sejam degustados de forma simultânea, mas a coisa não é tão simples. Como tudo na vida, tomar um cafézinho tbm tem suas complicações. É Chegado o momento
crítico em que as duas fontes de prazer estão por se esgotar, e nessa hora optar não é um luxo, mas uma privação.
Expondo de forma retórico-teórico-filosófica; o cigarro já está bem próximo do filtro mas ainda me permite nova tragada. O café está nas últimas, de forma que o restante não deixa a possibilidade de divisão em mais de um
gole. E agora? Em qual dos dois eu vou primeiro? Qual sensação quero deixar, de forma preponderante, mais latente em meus sentidos: o doce do café ou o último suspiro no cigarro?
Igual a tudo na vida...

Fustigado por essa encruzilhada existencial de meu cotidiano, fui à praça espairecer. Lá chegando me remeto ao banco que costumo sempre (e exaustivamente) sentar. Por conta dessas coisas do acaso (que alguns costumam chamar tbm de sorte sem ter nem porque) o banquinho usual estava em
uso(?!), fiquei puto e fui sentar lá do outrolado...enquanto andava passou pela minha cabeça que se tocasse guitarra passava o dia no riff de jump jack flash com um cigarro em falso no canto da boca...Fim de tarde meio nublado nesse dia dos namorados, dia do cara levar a namorada pra comer fora (2 vezes, que beleza!) e de dar o presente, de valor sentimental é lógico(!), que a grana lhe permitiu. Penso nos mal amados e nos solteiros por aí... geralmente são as mulheres que sofrem mais com essa coisa de estar só neste dia...lembro do Woody Allen comentando que devemos valorizar a masturbação pq é o único momento em que fazemos sexo com a pessoa que mais amamos e esboço um sorriso...Lembro do suco de mangaba da real sucos e acendo um cigarro...Lembro de quem está longe e me espreguiço...Lembro do horário e vou pra casa...



[Ouvindo Belchior - Sujeito de sorte; 4x0 pro Brasil hoje!]

Segunda-feira, Maio 22, 2006

O céu fechado, não faz juz a sua aparência,
Deixando escapar somente, uma leve garoa que não molha, mas refresca.
Em contraponto não há estrelas. Por trás das nuvens, quem sabe?
O que há para além das nuvens está para mim, como estou eu
Para o que lá está.
Sob a cúpula cinzenta, faço planos como se já os vivesse,
Alheio a imobilidade do banco verde da praça.

Tua ausência,
Parafraseando o bom poeta,
Entra pelos sete buracos da minha cabeça.

Chove.
E o que descia sereno, fazendo graça,
Cai vertiginoso, sem freio, sem licença.
Molha, borra estas linhas, irrita, desconcerta.
Vem.

Impossível se assim não fosse,
Pois todo vir, traz consigo o que virá...
E apenas assim me é permitido terminar
Este poema com o suspiro que ele fez por merecer...

Para cada grão de areia na Terra,
Cem mil estrelas no céu.


Fortaleza, 220506.

Quarta-feira, Abril 12, 2006

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Arde em brasa; intensa chama.
Voa incerto; doce drama.
Vaga lento; etéreo alento.

Busca o teu e não o outro.
Vida minha – Que te agasta? Que te cansa? –
Cingiu-me o peito nobre lança,
Corre solto meu desgosto.

Que o que foi não mais se faça.
Pois teu riso fez-se choro,
De pacato fiz-me afoito,
A tragédia viu-se em casa.

Queima mansa; calma chama.
Voa certo; amargo drama.
Solte o pranto; etéreo canto.


Fortaleza, 110406

Quinta-feira, Abril 06, 2006

"Carrapateira não tem mais ciúmes da Apolo 11."


Em 69 quando Armstrong chegou na lua, a energia elétrica ainda não havia chegado a Carrapateira, cidadezinha no interior da Paraíba que ostentava o título de municipio mais pobre do país. O orçamento da missão Apolo 11 correspondia 33.330 anos do orçamento da prefeitura da cidade. Semana passada, no mesmo dia em que o primeiro cosmonauta brasileiro era lançado ao espaço eu tive a felicidade de ligar a TV no canal Brasil e assistir ao documentário que retratava como foi recebido o fato da alunissagem na cidade.

É até engraçado, domingo no "fantástico", logo após o gozo ufano da reportagem sobre nosso "héroi",como uma espécie de depressão pós-orgasmo vem uma outra sobre trabalho escravo infantil. São 10 milhões de dólares eu pensava...mas tudo bem, o cara fará experimentos cientificos, saber como se desenvolve uma semente de feijão na ausência da gravidade tem sua importância...são 10 milhões de dólares, pensava eu...


*O documentario ta em cartaz no canal Brasil.
[Ouvindo Bob Dylan - Outlaw BLues; aulas e mais aulas.]

Quarta-feira, Março 15, 2006

Esses dia de feria eu assisti televisão demais, só fico na frente da Tv, to me sentindo burro pra caralho, lê que é bom eu num leiu! Fico na frenti daquela caixa quadrada que nem um bocó vendo na maior parte do tempu vendo programa de esporte, vendo coisa de futebol, sabe? Eu gosto que só!! è massa! Mas da uma pena dos comentarista, todo dia cunversanu as mesma coisa e eu ouvindo as mesmas merda. De veiz em quando eu venho aqui no computador, olho o orkut, fotolog, é massa!! passo horas fazendo nada no orkut, olhando gente que não conheço, no fotolog é o mesmo esquema, é massa que só!! Mas meu amor de ferias é mesmo a televisão, Tv a cabo é bom demais, não existe coisa melhor nesse mundo, não existe mesmo,eu passo o dia lá, se vc me pergunta no final do dia o que eu assisti, juro que não sei te responder! heuheuheuh, to só assistindo....só olhando... televisão traz informação pra caralho, mas conhecimento que é bom...
meio vazio e não meio cheio.


Minhas semanas em "stand by" do mundo parecem não passar, férias prolongadas devido a transferência dão sobrevida a minha permanência no limbo "nadificante" que tem me servido de clausura.

Disposto a largar a TV, nem que seja na marra!!


"Esvai-te, ó delicada
chama! Apaga-te!A vida é sombra passageira.
Um pobre ator que chega, agita a cena inteira,
Diz seu papel e sai. E ninguem mais o nota.
É um conto narrado aí por um idiota,
Cheio de sons, de fúria e não dizendo nada."

Macbeth, Acto quinto, Cena v.


[Ouvindo Mundo Livre S/A - Pastilhas coloridas; "qualquer droga era boooa..."]

Terça-feira, Fevereiro 14, 2006

EU LI PAULO COELHO.


Descobri o esporte que se encaixa perfeitamente com meu atual perfil: a pesca. Qual outro esporte eu poderia praticar à beira do mar, sentado, tomando uma cerva gelada, fumando um cigarro e conversando com meus amigos sem que minha performance seja prejudicada? Pois é, nenhum.

Mas a grande iluminação de que esse seria o novo rumo de minha vida esportiva veio na semana passada quando fui pescar pela primeira vez com meu prezado colega Juliano na agradável praia do Porto das Dunas. Ao chegar me senti meio intimidado pela quantidade de equipamentos dos outros pescadores, mas pensei nas sábias palavras do mestre Paulo Coelho, palavras essas que ainda ecoavam em minha cabeça devido a recente leitura que fiz de alguns de seus livros. Ele dizia que sempre que uma pessoa se lança em sua jornada pessoal, em busca de seu plano de vida, todas as forças do universo irão convergir para que tudo ocorra da melhor forma possível, portanto se vc está em seu real caminho pessoal é muito dificil que as coisas saiam errado. Logo peguei o anzol e arremessei ao mar, eu estava confiante, tinha que estar, pois o mestre tbm roga que em tudo que fazemos, em qualquer atividade que iniciamos, teremos sempre a "sorte dos principiantes" que é algo absoluto, algo que não nos compete duvidar. Apoiado nessas crenças me senti completo e confiante (que força tem as palavras!!).

Depois de um par de arremessos veio a confirmação de que aquele era o lugar em que eu deveria estar, pesquei meu primeiro peixe. Mas depois que fisguei o primeiro passei por uma seria crise existencial, arremessei varias vezes e nada de peixe nenhum no meu anzol. Lembrei novamente das sábias palavras do mestre Paulo Coelho: se uma coisa acontece uma vez, ela provavelmente nunca mais se repetirá, mas se uma coisa acontecer duas vezes com toda certeza acontecerá uma terceira vez. Puta que pariu!! será que esse seria o único peixe de minha existencia??

Persisti na pescaria... pois o sucesso vem me parecendo muito mais fruto de persistencia do que o reconhecimento de qualidades técnicas. Fui recompensado com mais 4 peixes e a certeza de ter encontrado meu caminho pessoal no mundo dos esportes, Obrigado Paulo Coelho.

Ler os livros desse cara é que nem comer no escuro, vc fica sentindo um incomodo o tempo todo, mas acaba terminado o prato. (nem que seja só pra ver qual é)

[Ouvindo Bob Dylan - Highway 61 revisited; Férias boas!!]

Segunda-feira, Dezembro 12, 2005



Ela sussurra intermitente
Expressão lírica não concebida
Ou imaginada.
Minha cabeça em chamas...

"Respeito muito minhas lágrimas,
Mas ainda mais minhas risadas."
A dualidade conflituosa se mostra
como uma prerrogativa para os
fenõmenos observaveis.

Li em um artigo, que em certa época do ano
o Saara é castigado por tempestades de vento
e a areia que sobe vem pelo ar, atravessando o atlântico,
cair na amazônia, enriquecendo seu solo com minerais.
De uma situação inóspita, caótica e completamente
aversa a existência da vida em todos os sentidos, sai o adubo
indispensavel à maior fonte de vida do nosso planeta.

Talvez seja assim com todos nós.
Talvez seja preciso um Saara para que se tenha uma Amazônia.
Talvez seja preciso o caos para dar luz a uma estrela cintilante,
como disse Nietzsche.
Talvez, talvez, talvez...

Um querer niilista,
"Chovendo por dentro; impossivel por fora."
Uma vontade parnasiana,
O que é a vida senão o observado (ou abservavel)?

Ah, o sentir! Ninguem sente o que sinto.
(também não sinto o que sentem.)
O que é sentir?
E o que é não sentir? Existe?

Estamos todos tão centrados na busca pela
"paudurescência" da vida.

Vida: intervalo entre o nada e o nada, onde procuramos
de todas as formas o máximo de prazer possivel.
Morte: O que ninguem quer mas todos tem.
Eu: Eu sou como você.

Quando for matar seus demônios tome cuidado,
você pode estar acabando com o que há
De melhor em você.



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