É o seguinte: sempre que compro um copo de café acendo um cigarro, daí eu fico tentando sincronizar o rendimento dos dois pra que eles sejam degustados de forma simultânea, mas a coisa não é tão simples. Como tudo na vida, tomar um cafézinho tbm tem suas complicações. É Chegado o momento
crítico em que as duas fontes de prazer estão por se esgotar, e nessa hora optar não é um luxo, mas uma privação.
Expondo de forma retórico-teórico-filosófica; o cigarro já está bem próximo do filtro mas ainda me permite nova tragada. O café está nas últimas, de forma que o restante não deixa a possibilidade de divisão em mais de um
gole. E agora? Em qual dos dois eu vou primeiro? Qual sensação quero deixar, de forma preponderante, mais latente em meus sentidos: o doce do café ou o último suspiro no cigarro?
Igual a tudo na vida...
Fustigado por essa encruzilhada existencial de meu cotidiano, fui à praça espairecer. Lá chegando me remeto ao banco que costumo sempre (e exaustivamente) sentar. Por conta dessas coisas do acaso (que alguns costumam chamar tbm de sorte sem ter nem porque) o banquinho usual estava em
uso(?!), fiquei puto e fui sentar lá do outrolado...enquanto andava passou pela minha cabeça que se tocasse guitarra passava o dia no riff de jump jack flash com um cigarro em falso no canto da boca...Fim de tarde meio nublado nesse dia dos namorados, dia do cara levar a namorada pra comer fora (2 vezes, que beleza!) e de dar o presente, de valor sentimental é lógico(!), que a grana lhe permitiu. Penso nos mal amados e nos solteiros por aí... geralmente são as mulheres que sofrem mais com essa coisa de estar só neste dia...lembro do Woody Allen comentando que devemos valorizar a masturbação pq é o único momento em que fazemos sexo com a pessoa que mais amamos e esboço um sorriso...Lembro do suco de mangaba da real sucos e acendo um cigarro...Lembro de quem está longe e me espreguiço...Lembro do horário e vou pra casa...
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